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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Existência

O que faço eu aqui?
A questão atormenta-me porque até tenho algumas respostas práticas que o justificam. E acuso às forças da circunstância pelo estado da minha situação.
Mas sinto-me insatisfeito pelas respostas apresentadas.

Eu não creio que tenho por desígnio algo de grandioso. Ser alvo de admiração pelos outros. A minha caminhada desenrola-se sem avistar horizontes longínquos.
Também não pretendo enriquecer e cercar-me de bens que não poderei levar comigo…
Sonhos e ideais são escassos, caracterizando-se por serem perfeitamente comuns.
Mas porquê aqui? Neste exacto lugar e momento…

Como justificar a nossa existência…
Cada dia que passa…

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Elogio

"De nenhuma coisa são mais avarentos os homens, que do louvor (...) de nenhuma são mais pródigos, que do desejo de receber." (António Vieira)
Louvar, lisonjear, elogiar…
Já fez o seu elogio, hoje?
Elogiar é apenas constatar uma realidade ao enaltecer uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém. E o elogio motiva, aumenta a auto-estima de outros…
Pode até mesmo ajudar a melhorar ou corrigir um defeito através do auto-conhecimento…
Em consequência, os elogios, os louvores, a lisonja criam amizades e estreitam os laços de carinho, de amor e até profissionais (desde que sejam elogios reais e sinceros) …

Mas, normalmente, recebo com mais seriedade uma crítica do que um elogio. Facilmente, suponho que com o elogio traz consigo uma intenção oculta ou até mesmo uma ofensa… E, por vezes, nem acredito no elogio…
Esta resistência ao elogio poderá ter origem numa baixa auto-estima… Então temos uma crítica que aceito plenamente.
Aceito (sem crítica) e agradeço os elogios, sem querer parecer presunçoso nem deixar-me levar pela vaidade…

Na verdade, fico constrangido com a situação… Principalmente, quando não concordo… E agora que recebi o elogio. Eu terei de melhorar?
Como poderei continuar a ser modesto e humilde após o elogio?
Se uma qualidade minha é reconhecida…

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tertúlias

O que são? E porque existem?
Trocar ideia sobre temas que fazem de nós seres pensantes… Pôr em actividade os neurónios nas questões, reflexões e provocações filosóficas…

O que vejo?
Grupos de pessoas ignorantes, desocupadas, a proferirem asneiras em tom coloquial…
A discutir preocupações passageiras que em nada contribuem para o desenvolvimento do grupo, nem da sociedade… Dar à língua, contar o último mexerico, tornaram-se de longe mais importantes.
Mas mantém a coesão do grupo, mas só do grupo… Mas a sociedade acabará por reflectir esses comportamentos…

O que aconteceu àqueles desocupados que, aparentemente, nada faziam além de conversar? As mesas são substituídas por balcões em que somos rapidamente atendidos e despachados… Os bancos de jardim, desaparecem…
"Não é a minha posição na sociedade que faz o meu bem-estar, mas sim as minhas ideias, e estas posso trazê-las sempre comigo… Só elas são minhas e ninguém me as pode tirar." (Alain de Botton, in «Status e Ansiedade»)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poço

Do fundo do poço, olho para cima e vislumbro a pequena parcela do céu nocturno…

Devido à intensa iluminação que existe, repara-se que não há nebulosidade mas também não se vê nenhuma estrela…
É um céu de azul-escuro uniforme, sem nada que consiga atrair a atenção do olho…
É um céu triste e sem encanto…

Em contraste, os cinzentos-claros das paredes inacabadas de betão do poço. Sem qualquer uniformidade na sua textura e cor. As telas de impermeabilizante de amarelo forte… A malha de aço em tons de castanho que lembram a cor da terra…
O sistema de cofragem de vermelho queimado pelo sol, em tons que fazem lembrar o laranja…
A escada torre, com os seus próprios tons de cinzento e degraus pintados de amarelo. Uma estrutura de metal, de peças encaixadas e entrelaçadas entre si, que sobe mas não atinge o cimo do poço… Em pouco tempo, compreendo a sequência de montagem das várias peças… Certamente, um jogo de lego em tamanho humano, preparado a crescer…

No poço, posso olhar para cima, para o céu e pensar atingi-lo…
Mas no poço há variedade e tanto mais para fazer…
No fundo do poço, posso querer grandeza, mas sou insignificante… Mas é no fundo do poço, que posso trabalhar e alcançar o céu…

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Agradar

Se existe uma pessoa no mundo em que vivemos que não goste de atenção, amor e carinho que atire a primeira pedra. Desde que o mundo é mundo, e que um relacionamento é baseado em amor, a vontade de agradar a pessoa amada é um facto indispensável na vida dos apaixonados, seja com um simples gesto a um presente inesperado.

As formas de agradar quem se ama variam conforme os gostos, comportamentos e estilos, sempre que queremos agradar procuramos nos aprofundar mais nas vontades do companheiro(a) assim evitando errar, estar em sintonia com a pessoa para descobrir os gostos, desejos e anseios pode ser um forte aliado quando pensar em presentear, portanto, uma dica indispensável é ficar sempre atento aos comentários que são feitos durante as conversas que vocês tem, isso facilitará muito na sua decisão.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ceptro

Em Portugal, ao contrário do que acontece em outros países, não se verifica na investidura dos monarcas uma larga alusão à entrega das insígnias. Estas, todavia, encontram-se bem documentadas nas descrições da aclamação.
A Idade Média, sob o aspecto de simbologia política, foi de uma exuberante variedade e riqueza. Países houve, contudo, que constituíram excepção neste capítulo. Portugal é disso exemplo. Os signos da soberania em Portugal - e nao apenas naquela época histórica - além de raros, nunca encerraram interpretações extremistas; mas nem por isso, uma curta análise, deixa de ser útil.


A espada ou estoque representava a vitória sobre os inimigos e simultaneamente a justiça punitiva.

O ceptro, como a coroa, tinha atrás de si larga tradição e constituia uma das insígnias mais representativas da realeza. Em Portugal, logo desde os primeiros tempos da monarquia, o ceptro pertence à simbólica do Estado. Segundo o Direito Canónico, o ceptro - imagem da rectidão - representava a Justiça.


O ceptro obteve em Portugal, como símbolo político-jurídico, importância só comparável à que lá fora logrou a coroa. A coroa, de facto, não foi usada pelos soberanos portugueses, embora tenha feito parte da nossa simbólica estatal e tivesse mesmo ficado indissoluvelmente ligada à iconografia régia.

Levantamento

( A Batalha de Ourique (25 de Julho de 1139) - origem mística de Portugal e aclamação de Afonso Henriques como rei e também a adopção dos cinco escudos como armas nacionais)

Em Portugal, a investidura régia fazia-se através de uma cerimónia muito menos complexa que a coroação – o levantamento.
Nos quadros da história das instituições políticas a designação que lhe cabe é a de “eleição”, expressão esta que não implica necessariamente uma eleição no sentido habitual, podendo ser antes a simples ratificação dos direitos do novo rei pela nação.
Conquanto o trono fosse hereditário, o nosso direito público conservava, como vestígio, do princípio consensual e como expressão do dualismo rei/nação, a instituição do levantamento.

Todavia só a sagração conferia o título e a dignidade de rei, assim também, entre nós, o novo rei estava de antemão designado mas necessitava, não obstante, ser aclamado.
Os partidários da teocracia, em defesa da supremacia do sacerdócio sobre o império, afirmavam que o ungido é inferior àquele que dá a unção.
Reagindo a tal modo de ver, os partidários da tese adversa contra-atacaram, negando que a unção fosse uma cerimónia essencial, isto é, possuísse um efeito constitutivo de realeza. O rei, segundo esta tese, tem o seu título unicamente da hereditariedade, ou da eleição; é rei desde a morte do seu predecessor ou desde que os eleitores qualificados o elegeram; as piedosas solenidades que se desenrolam depois não têm outro objecto senão orná-lo de uma consagração religiosa, venerável, mas que não são indispensáveis.
Em Portugal, onde os reis não foram ungidos e coroados, nenhuma das doutrinas referidas teve campo favorável à sua disseminação.

De todos os actos da elevação, talvez o mais importante seja o juramento régio, isto é, o juramento pelo qual o rei promete “guardar os foros, usos e costumes do reino, governar os povos bem e direitamente e ministrar-lhes justiça”.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fatalista

Não houve um passado, não há um presente, não haverá um futuro.
O que me resta? Desejos irrealizáveis, sonhos desfeitos…
As possibilidades que não acontecerão, por motivos que desconheço…
Porque devo agarrar-me a circunstâncias que a nada conduzem…
A palavras ocas e vazias de intenção…

Fatalista? Sim!...
Todos os nossos actos têm uma consequência. Mas nem sempre a desejada ou pretendida.
E comigo a pretendida é a que não acontece.

Deverei deixar de criar expectativas e viver em ansiedade?

Fatalismo

Uma das características dos seres humanos é que somente somos capazes de distanciarmo-nos frente ao mundo que nos rodeia para objectivá-lo e com isso, agir sobre a realidade.
Mas quando as oportunidades de vida são estreitas, a realidade social torna-se parte da natureza. "Cada objecto tem seu próprio ciclo pré-determinado, e as únicas são aquelas impostas pelas demandas mínimas de evolução. As coisas são como são, como foram ontem e, assim, serão amanhã" (Martín-Baró).

Ao considerar a vida como predefinida, há um sentimento de resignação ao próprio destino. Conformamo-nos e submetemo-nos a esse destino…
Ao considerar que toda e qualquer acção sobre a realidade, não são capazes de alterar o destino, então deixamo-nos de afectar e emocionar pelos sucessos dos nossos caminhos. A tendência é para baixar os braços e não fazer nenhum esforço…
É um Deus distante e todo-poderoso ou Parcas que decidem o destino de cada pessoa… Aceitamos todo o sofrimento sem questionar ou agir… Vivemos sem memória do passado e sem planear o futuro…

Somos nós, a cada momento, em todos os lugares, que criamos o destino de cada um… Nem tudo se encontra predefinido e podemos agir sobre tudo…

sábado, 16 de outubro de 2010

Falácias

Uma falácia é um argumento incorrecto que tenta induzir esse erro de raciocínio. Não é uma mera afirmação falsa, nem uma opinião da qual discordamos, nem uma explicação mal dada ou uma omissão de factos. Tudo isso pode conduzir a falácias, se induzir inferências inválidas, mas não é falacioso por si só. Não é falácia torcer por este ou aquele clube desportivo, dizer que não chove quando está a chover ou explicar que não se pode apresentar o trabalho porque o cão o comeu. Nem sequer é falácia partir de falsas premissas. “É melhor ir de Metro porque está a chover elefantes” é uma inferência válida, apesar da razão apresentada não ser aceitável em condições normais.

As falácias podem enganar invocando pressões psicológicas, como anseios, repulsas, ou desejos, que levem a uma conclusão injustificada. Mas, normalmente, uma análise minimamente atenta do argumento é protecção suficiente contra tal artifício. É relativamente simples perceber que não se deve concordar com um argumento se a única justificação é que quem discorda “não é homem, não é nada”. Mais perigosas são as falácias que enganam porque seguem a mesma estrutura de algumas formas de argumentação válida.

Uma falácia é um erro específico de raciocínio, e não um mero problema nos factos, explicações ou opiniões. É uma inferência incorrecta que visa induzir em erro, e que o pode fazer omitindo deliberadamente dados relevantes, imitando argumentos válidos em circunstâncias em que não o sejam ou apelando a emoções, preconceitos, medos e desejos para conduzir a uma conclusão por outros caminhos que não o da persuasão racional. A forma de identificar uma falácia é encontrando os elementos do argumento que, normalmente de forma dissimulada, servem para dar uma aparência de justificação a uma inferência inválida.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Respublica

Entidade integradora supra regna, onde, de um lado, estão aqueles que podemos qualificar como os projectistas da paz universal, herdeiros dos defensores da monarquia papal universal e antecessores dos chamados mundialistas, e, do outro, os defensores do Império, da instauração de uma monarquia universal pelo imperador.
Se os primeiros apenas advogam o recurso a meras instituições do antigo direito das gentes, utilizando o método clássico da arbitragem ou o recurso a associações de unidades políticas autónomas, destinadas a proibir o recurso à força, já os segundos apostam na criação de uma autoridade temporal superior às unidades políticas particulares.

Os projectistas da paz são assim herdeiros da unificação promovida pela Igreja na res publica christiana, geradora de um direito das gentes cristão que, segundo Truyol Serra, introduziu três importantes novidades: primeiro, quando veio adoçar e limitar o direito de guerra, tanto pela difusão do ideal da cavalaria, como pelo estabelecimento de instituições como a paz de Deus e a trégua de Deus que, ou impediam actos de guerra em certos dias, ou punham ao abrigo da guerra certos grupos da população; segundo, quando instituiu a arbitragem, uma instituição diversa da simples mediação, dado que o árbitro já tinha de cingir-se ao direito, enquanto o mediador podia actuar conforme a equidade, e fez do papado uma instância arbitral permanente; terceiro, quando, promoveu a reunião de concílios, participados por eclesiásticos e leigos, que não se limitavam apenas à discussão de questões teológicas e que também promoviam arbitragens .

Utilizando uma linguagem actual, diremos que os primeiros apenas defendem um fenómeno de organização internacional, apenas susceptível de actuar inter-estadualmente, enquanto os segundos já advogam a integração internacional, de carácter transnacional.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Futilidades

A futilidade irrita a muitos de nós… E porquê?
Valorizamos a inteligência, a cultura e o conhecimento… Valorizamos os actos nobres como a caridade, a coragem e a misericórdia…
Mas são esses actos e essas características que constituem o nosso quotidiano?

Porque perguntamos, principalmente a familiares e amigos: “o que estás a fazer?”?
Mesmo que a resposta esperada seja tão simples como: “estou a cozinhar” ou “a arrumar o quarto”. A pergunta não deixa de ser interessante e importante para todos nós… Porque faz sentirmo-nos em contacto com aqueles que amamos como se fizéssemos parte das suas vidas…
Não são essas actividades pormenores do que somos… Aspectos insignificantes que constroem a nossa personalidade…
Não são os nossos pequenos prazeres e pecados, frivolidades? Que nos fornecem contentamento… Características da nossa pessoa, os nossos gostos…

Vão… Sem valor… Vazio… Mas as nossas vidas encontram-se plenas de futilidades que dizem o que somos… São as futilidades que partilhamos com os outros, que nos mantêm ligados e criam a sensação de pertença.
O que é fútil dá sentido às nossas vidas…

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cor

Cor é luz daí sua ligação íntima com a luz solar. Sem luz não há cor. As cores interferem em todos os campos de nossas vidas. Somos luz que vibra na mais baixa intensidade criando as condições exactas para que surja o corpo físico. As cores nos colocam em "contacto" com o mundo exterior, sendo assim, sentimos o mundo através da pele, nosso maior órgão dos sentidos, necessitamos desse "contacto" com o mundo exterior para obtermos uma melhor qualidade de vida. Para muitas patologias podemos usufruir dessa interferência natural.

As cores estão presentes em várias situações das nossas vidas: nos alimentos que ingerimos, nas roupas que vestimos, no ambiente familiar e no trabalho. Na natureza, atingem o seu maior destaque, com o brilho da Primavera e a luminosidade do Outono. A presença das cores é sinal de alegria, descontracção, saúde física e emocional. O uso das cores para o tratamento físico é conhecido como cromoterapia. Baseia-se nas propriedades terapêuticas de cada uma das sete cores do arco-íris. A importância das cores em interiores e sua influência em nossas vidas tornam-se evidentes quando lembramos que, em média, passamos cerca de dois terços do nosso tempo em ambientes internos. A cor é um dos principais factores determinantes da forma como nos relacionamos com nosso ambiente e o que ele nos transmite.

As cores, além de acrescentar à estética de tudo que no mundo que criamos, servem também para interferir, em nosso favor, no equilíbrio, contra o ataque de diversos males que atingem o corpo humano. Estamos todo o tempo susceptíveis às mais diversas frequências vibratórias da luz, que produzem reacções mentais e geram estados emocionais distintos; possuem qualidades específicas e produzem efeitos diferenciados: calmantes, repousantes, apaziguadores, refrescantes, excitantes e irritantes; geram bem-estar, aumentam ou diminuem emoções e provocam alterações fisiológicas e psíquicas.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Suspensão

Quando a não produção de efeitos é temporária… Temos a suspensão…
É um momento em que nos invade a incerteza e a dúvida… Então hesitamos e dá-se uma pausa.
Mas o movimento, o devir, não se detém… É apenas um momento de trégua…

De facto, as suspensões dão-nos conforto nas nossas viagens pelo mundo.
Protege-nos dos solavancos das nossas vidas…
Permite-nos flutuar e ignorar o peso das nossas responsabilidades…

Mas são apenas temporárias, e logo voltamos a sentir as agruras da vida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Extinção

“A longo prazo, todos estaremos mortos” (John Keynes) …
É a nossa realidade histórica, que tudo e todos teremos um fim…
Quando se deixa de produzir efeitos, quando se deu o total desaparecimento de algo, deu-se a sua extinção.

Ou assim pensamos… Não deixamos de desenterrar e imaginar como terá sido… Ficam nas recordações de quem permanece…
Há sempre um vestígio daquilo que foi.

Quando a extinção for total, significa que não haverá nada nem ninguém para recordar e desenterrar do passado…

sábado, 17 de julho de 2010

Contacto

O contacto físico transmite uma relação consciente ou inconsciente e pode desencadear alterações metabólicas e químicas no corpo, as quais ajudam a equilibrar. A estimulação táctil e as emoções podem controlar e aliviar a dor e assim nos proporciona uma sensação de alívio e bem-estar. O contacto físico é uma necessidade biológica. E qualquer problema de saúde se atenua bastante sob a acção do contacto físico, que induz a um estado emocional positivo que por sua vez, ajuda o corpo em seu processo de auto-regulação. Por meio do contacto físico, pode-se instigar à motivação para diminuir o medo, a frustração e a sensação de desamparo. Infelizmente, nossa cultura impõe limites rígidos a nosso comportamento nesse aspecto. O contacto físico funciona bem, quando empregado com a mesma sensibilidade e cautela observadas nos outros métodos terapêuticos.

Como o homem interage com a natureza e o mundo que o rodeia à sua volta através dos seus "sentidos", o que o coloca em "contacto" com o mundo exterior, ao observarmos a Natureza e o Sol podemos dizer que sentimos as cores, que nos chegam primeiramente pela visão. Interessante observar a importância das cores porque só então percebemos: como seria imaginar o mundo em branco e preto?


Ao observarmos a natureza sentimos toda a sua harmonia e equilíbrio na sua condição de possibilitar a vida para todos os seres vivos: os animais, os vegetais e os seres humanos. A associação da natureza (harmonia+ equilíbrio) com o Sol (calor, luz e energia), nos é vital permitindo que tenhamos as condições ideais para que o nosso organismo desempenhe plenamente as suas funções. Existe uma interacção constante entre a natureza, o homem e o sol criando um elo importante.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Toque

O toque é o mais antigo dos sentidos conhecidos na visão evolutiva, antes não se fazia a interação dos cinco sentidos, nem a integração psico/física. O mundo é conhecido através dessa percepção inata que nos permite adquirir aos poucos a consciência do que nos rodeia, o conhecimento vai se fazendo pelo toque, o sentir e o armazenar pela nossa capacidade de percepção e de memória. A expressão: "Estar com os pés no chão" traduz uma relação podo-cefálica que tem importância na concentração e no equilíbrio, envolvendo concentração e consciência da proximidade de eventos e a sua capacitação.

Assim, desde antes do nascimento, ainda no ventre materno já podemos sentir o nosso Universo, através das sensações que nos são passadas pela nossa mãe através da sua pele, do seu toque carinhoso, da sua conversa e de seus batimentos cardíacos, o mundo nos é apresentado de uma forma diferente com a segurança, o conforto, o calor, o afecto que através dela sentimos. Protecção esta que desaparece a partir do nascimento. Há então uma ruptura com tudo aquilo que nos era conhecido, há um desequilíbrio, uma desarmonia. Passamos então a sentir o mundo através de nossas próprias sensações. De repente, todo aquele aconchego, protecção, aquela voz conhecida se confundem num Universo muito maior e desconhecido. Começa então uma nova etapa, um novo desbravamento, novas experiências que se darão pelo nosso "contacto" com o mundo, a pele então será o nosso maior aliado, nos fará sentir frio, calor, dor e estímulos tácteis. Será o nosso intermediário, com ela aprenderemos a nos conhecer.

O toque será então o nosso sentir, ao recebê-lo estamos sempre aprendendo, recebendo afecto, segurança, protecção, conforto, carinho, aconchego, amor, dedicação, afeição, confiança, estabelecendo vínculos, fazendo uma conexão com o passado. Ao nos sentimos mais amados, mais ligados formamos uma maior consciência corporal e psíquica, um maior equilíbrio emocional. Resgatando o que perdemos com a ruptura do nascimento.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Limites

Não tenho limites!
Ou assim gostaria de acreditar… Os sonhos, as ideias não têm limite!? Mas têm…
E estamos sempre a impor a nós mesmos limites…
Afinal, vivemos dentro de paredes e vedações… Limitados temporalmente por prazos… Limitados pelo espaço geográfico em que nos movimentamos…
Limitados pela lei, a moral, a ordem pública, a natureza das coisas…

Por mais que nos custe ouvir, não podemos esquecer que os limites e as punições são uma constante nas nossas vidas.
Viver em sociedade significa obedecer a regras. Muitas vezes não percebemos, mas estamos constantemente a respeitar e a definir limites. Não seria possível viver colectivamente sem eles.

Os limites ensinam-nos como respeitar o próximo, facilitando a socialização, por isso devem fazer parte da educação. Uma vez que vivemos em sociedade, é necessário haver respeito pelas regras pelas quais esta se rege.
Quando um limite não é respeitado, é importante que haja um "castigo. Mas atenção, a punição deve ser sempre equivalente à gravidade do acto cometido e aplicada de imediato.
É importante deixarmos claro que "limite" é diferente de "repressão". O primeiro actua através dos castigos, enquanto que a repressão o faz através da culpa. O castigo age sobre o acto e a culpa sobre a pessoa.
Durante o nosso desenvolvimento, estabelecer e conhecer os limites é saudável quando estes se referem apenas aos actos, não desmerecendo ou desvalorizando a pessoa.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Workaholism

Há quem seja valorizado pela sua determinação, capacidade em superar obstáculos e dedicação. Há quem tenha tal preocupação com o desempenho profissional que seja capaz de abdicar de momentos de lazer com a família ou amigos em detrimento do trabalho. Nada de muito preocupante, se tudo isto for bem doseado. É que a fronteira entre ser um bom profissional, exemplar e motivador aos olhos de uma equipa, e ser considerado um workaholic (viciado no trabalho) é cada vez mais ténue. Estima-se que 10% da população portuguesa seja viciada no trabalho. Gente para quem a actividade profissional é tudo e ter uma mera semana de férias constitui uma fonte de sofrimento e angústia.

São em cada vez maior número e dizem os especialistas que constituem a face mais visível de um mercado laboral cada vez mais global e adverso. Jovens, competitivos e profissionalmente ambiciosos. Não sabem parar, trabalham onde quer que estejam, colocam a família e os amigos em segundo plano. Sofrem de ansiedade, stress, distúrbios do sono. Vivem para o trabalho, muitas vez não por necessidade mas por vício.

Em oposição ao abuso de substâncias como drogas e álcool, as opiniões divergem sobre se tal comportamento doentio pode ser considerado um vício. Mas o workaholism é uma condição que pode causar tanto dano mental como físico. Não só ao individuo mas como à organização de que faça parte.
Eles não procuram maneiras de serem mais eficientes, apenas estão à procura de formas de terem mais trabalho para fazer.
Além de desencorajar a eficiência, pode pôr o stress enorme em co-trabalhadores. Se o workaholic é um gerente, ele ou ela pode esperar longas horas de subordinados, pode forçá-los a tentar atingir padrões impossíveis e, em seguida, entrar na corrida para salvar o dia quando o trabalho é considerado inferior.
A pessoa pode parecer como um herói, entrando para resolver crise após crise, quando na verdade essas crises poderiam ter sido evitadas. Às vezes, o workaholic pode ter inconscientemente criado problemas para proporcionar a emoção infinita de mais trabalho.

À semelhança de outros vícios, os viciados em trabalho também demoram a reconhecer que têm uma relação problemática com o trabalho e a procurar ou aceitar ajuda. Justificam esta ligação excessiva ao trabalho, que supera a família, os amigos, os hobbies, dizendo que gostam muito do que fazem. Há quem só reconheça precisar de ajuda e tratamento depois de um grande susto ou depois de toda a vida em seu redor (estrutura familiar, saúde, bem-estar) ter desmoronado. Até porque, em regra, estes profissionais excessivamente dedicados tornam-se indivíduos com problemas de isolamento e dificuldade de relacionamento inter-pessoal.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Queixar-se

Somos uns eternos insatisfeitos… Descontentes com aquilo que temos… Desgostosos com aquilo que somos… Desagradados com os outros…
"O ser humano inventou a linguagem para satisfazer a sua profunda necessidade de se queixar." (Lily Tomlin)

Lamentamo-nos constantemente da nossa sorte (ou falta dela)… Apresentamos queixa aos outros e reclamamos de algo ou de alguém…
Lastimamos e manifestamos esse ressentimento pelo o mundo que nos rodeia ser incapaz de ser melhor para agradar e satisfazer, e exigimos e se façam valer os nossos supostos direitos…

Somos capazes de reconhecer no mundo que nos rodeia, as suas deficiências e de o censurar… Impedimos que o mundo que no rodeia nos ataque e combatemos corajosamente reclamando e expondo os seus agravos ou motivos de desgosto…
Mas somos incapazes de queixarmo-nos de nós mesmos, por não fornecermos nós mesmos ao mundo que nos rodeia aquilo que lhe falta… Numa falta de compreensão e de acção, somos incapazes de uma atitude construtiva de melhorar o mundo que nos rodeia… Somos incapazes de reconhecer em nós mesmos, a origem das deficiências de que nos queixamos…

Quando seremos todos capazes de dizer? "Não encontro defeitos. Encontro soluções. Qualquer um sabe queixar-se."(Henry Ford)